
O Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é uma condição relacionada ao ciclo menstrual caracterizada pela presença de sintomas emocionais, comportamentais e físicos que surgem principalmente no período que antecede a menstruação. Diferentemente da tensão pré-menstrual (TPM), o TDPM apresenta sintomas de maior intensidade, podendo provocar sofrimento significativo e interferir nas relações pessoais, nos estudos, no trabalho e na qualidade de vida.
Entre os sintomas mais frequentes estão alterações importantes do humor, irritabilidade, ansiedade, tristeza, labilidade emocional, sensação de estar sobrecarregada, dificuldade de concentração, redução do interesse pelas atividades habituais, fadiga, alterações do sono e do apetite, além de manifestações físicas.
Segundo Dalgalarrondo (2019, p. 350), o TDPM corresponde a uma forma grave de manifestação depressiva relacionada ao período pré-menstrual, caracterizada pela presença de alterações importantes do humor, como tristeza intensa, ansiedade, irritabilidade, raiva e oscilações afetivas.
Como o TDPM se manifesta?
Um dos aspectos fundamentais para compreender o TDPM é sua relação com o ciclo menstrual. Os sintomas tendem a aparecer na última semana antes do início da menstruação, apresentar melhora nos primeiros dias após o início do sangramento e tornar-se mínimos ou desaparecer durante a semana seguinte.
Para o diagnóstico, é necessário observar a repetição desse padrão ao longo de diferentes ciclos menstruais. Entre os principais sintomas estão:
- humor deprimido, tristeza intensa ou sentimentos de desesperança;
- ansiedade, tensão ou sensação de estar constantemente sob pressão;
- mudanças acentuadas de humor;
- irritabilidade ou raiva intensa;
- aumento de conflitos nas relações interpessoais;
- diminuição do interesse por atividades habituais;
- dificuldade de concentração;
- cansaço ou redução significativa da energia;
- alterações do apetite e desejos alimentares;
- insônia ou aumento da necessidade de dormir;
- sensação de estar sobrecarregada ou sem controle;
- sintomas físicos, como sensibilidade mamária, dores de cabeça, dores musculares ou articulares e sensação de inchaço.
Para que o quadro seja caracterizado como TDPM, os sintomas precisam apresentar intensidade suficiente para causar prejuízo significativo na vida cotidiana e não podem ser explicados apenas pela piora de outro transtorno ou por uma condição médica ou pelo uso de determinadas substâncias.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico do TDPM é clínico e deve considerar a relação entre os sintomas e o ciclo menstrual.
De acordo com os critérios diagnósticos do DSM-5-TR, é necessário que os sintomas apresentem um padrão recorrente durante a fase pré-menstrual e que estejam presentes em número e intensidade suficientes para provocar prejuízo significativo.
Um aspecto particularmente importante é o acompanhamento prospectivo dos sintomas. Isso significa registrar diariamente as alterações emocionais, comportamentais e físicas durante pelo menos dois ciclos menstruais consecutivos. Esse acompanhamento permite observar com maior precisão a relação entre os sintomas e as diferentes fases do ciclo.
O diagnóstico também deve considerar outras possibilidades, uma vez que sintomas de depressão, ansiedade ou outros transtornos podem apresentar piora durante o período pré-menstrual sem que isso necessariamente caracterize TDPM.
TDPM e estilo de vida
O tratamento do TDPM pode envolver diferentes estratégias, de acordo com a intensidade dos sintomas e as necessidades de cada pessoa.
Mudanças no estilo de vida podem contribuir para o manejo dos sintomas. A prática regular de atividade física, por exemplo, tem sido estudada como uma estratégia auxiliar para a redução de sintomas pré-menstruais.
A alimentação equilibrada e a avaliação individualizada de possíveis deficiências nutricionais também podem fazer parte do cuidado. Em relação ao cálcio e à vitamina D, existem evidências de que níveis adequados desses nutrientes podem estar associados a uma menor intensidade de alguns sintomas, mas a suplementação deve ser avaliada individualmente por um profissional de saúde.
Em quadros mais intensos, pode ser necessário acompanhamento médico e/ou psiquiátrico, podendo ser considerado tratamento farmacológico.
TDPM e saúde mental
O TDPM não deve ser compreendido simplesmente como uma “TPM mais forte”. Para algumas mulheres, as alterações emocionais podem ser suficientemente intensas para comprometer significativamente sua rotina e seus relacionamentos.
A compreensão do padrão cíclico dos sintomas pode ser um primeiro passo importante. Observar o que acontece antes, durante e depois da menstruação permite ampliar a percepção sobre as próprias experiências e buscar estratégias de cuidado mais adequadas.
Psicoterapia Junguiana e TDPM
A psicoterapia pode oferecer um espaço de acolhimento e compreensão para mulheres que vivenciam sintomas intensos relacionados ao Transtorno Disfórico Pré-Menstrual.
Na perspectiva da Psicologia Analítica, o processo terapêutico pode buscar compreender não apenas os sintomas, mas também a maneira como emoções, relações, conflitos internos e experiências subjetivas são vivenciados ao longo do ciclo menstrual.
O trabalho psicoterapêutico pode favorecer o reconhecimento de padrões emocionais, a ampliação da consciência sobre as próprias necessidades e limites e o desenvolvimento de recursos para lidar com períodos de maior sensibilidade emocional.
A perspectiva junguiana também considera a importância de compreender a experiência individual da mulher, evitando reduzir sua vivência exclusivamente aos sintomas. A psicoterapia pode criar um espaço para que aquilo que emerge durante esses períodos seja observado, elaborado e integrado à história pessoal.
É importante ressaltar que a psicoterapia não substitui o acompanhamento médico ou psiquiátrico. Em casos de TDPM, uma abordagem multidisciplinar pode ser especialmente importante, principalmente quando os sintomas provocam prejuízos significativos na vida cotidiana.
Quando procurar ajuda?
Se as alterações emocionais e físicas aparecem de maneira recorrente antes da menstruação e interferem significativamente na vida pessoal, profissional, acadêmica ou nos relacionamentos, é importante buscar avaliação profissional.
O acompanhamento adequado permite diferenciar o TDPM de outras condições e identificar quais estratégias de tratamento podem ser mais apropriadas para cada pessoa.
O cuidado em saúde mental não precisa se limitar à redução dos sintomas. Ele também pode possibilitar uma compreensão mais profunda da experiência individual, favorecendo maior consciência, autonomia e qualidade de vida.
Referências
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5-TR. Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing, 2022.
MILLER, Christie. Transtornos pré-menstruais. 2026.
